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Como vivem as pessoas que ainda moram na zona de exclusão de Chernobyl

Chernobyl

Pouco mais de 130 pessoas ainda vivem ilegalmente na chamada “zona de exclusão de Chernobyl”, estabelecida em um raio de 30 quilômetros que engloba parte da Ucrânia e da Bielorrúsia. Em 1986, o local sofreu forte impacto pela dispersão de radiação ionizante após a explosão do reator 4 da Usina Nuclear Vladimir Ilyich Lenin.

Conhecidos como “Samosely”, o grupo é formado por pessoas que se recusaram a deixar a área após o desastre nuclear ou que retornaram por não se adaptarem aos assentamentos criados pelo governo soviético em Moscou para famílias afetadas pelo acidente.

Os moradores em sua maioria são idosos acima dos 70 anos que não temem os efeitos nocivos da radiação na saúde ou que simplesmente não têm outro lugar para ir.

Mas como vivem os moradores de Chernobyl?

A principal fonte de alimento desta comunidade é o cultivo de vegetais no solo, que segue altamente contaminado mesmo 38 anos após o desastre. Além disso, os habitantes também consomem bastante proteína de animais da região. Mesmo sabendo dos riscos, os moradores da zona de exclusão de Chernobyl, em razão do baixo poder aquisitivo, não tem muitas alternativas.

Parte dos alimentos precisam ser adquiridos em mercados tradicionais em cidades vizinhas, como Ivankiv, que fica localizada fora da zona de exclusão. As pessoas que vivem na região são bastante pobres e, além do cultivo local, necessitam de doações da Central Nuclear ou visitantes que se aventuram no local. 

Um dos casos mais famosos envolvendo a região é o da jovem Mariyka Sovenko. Ela foi a única criança a nascer e viver, até os 7 anos de idade, dentro da zona de exclusão. Seus pais se recusaram a deixar sua propriedade porque não receberam nenhuma garantia de moradia das autoridades locais.

Por muito tempo, o governo ucraniano tentou encobrir a existência da menina e seus pais foram alvos de críticas por negligência. Mas, por incrível que pareça, ela nunca apresentou problemas de saúde.

Segundo o portal britânico Sunday Express, a jovem se mudou para Kiev e estudou na universidade da região. Atualmente, Mariyka advoga pela causa de crianças portadoras de doenças provenientes da exposição à radiação. Ela também atua em projetos de conscientização sobre as consequências do acidente nuclear.

O desastre de Chernobyl

O acidente da Usina Nuclear Vladimir Ilyich Lenin, ou apenas Usina Nuclear de Chernobyl, é, sem dúvida, um dos eventos mais importantes da história recente da humanidade. Mikhail Gorbachev, último líder do regime soviético, o considerou como um dos principais motivos para a queda da URSS.

Na época, a insistência em um teste de segurança sob condições adversas resultou na explosão de um dos quatro reatores da usina. Mas o problema não parou por aí. Após a explosão, o núcleo do reator ficou exposto, dispersando então uma imensa quantidade de radiação na atmosfera.

A nuvem radioativa alcançou países como Suécia, Finlândia, Alemanha e até mesmo na Grã-Bretanha. Estima-se que o acidente liberou uma quantidade de radiação 400 vezes maior que a explosão da bomba atômica em Hiroshima, na Segunda Guerra Mundial.

Mais de 600 mil pessoas trabalharam diretamente na usina para conter as emissões de radiação e até mesmo robôs do programa espacial soviético foram usados para a limpeza dos escombros. Contudo, eles não funcionaram como o esperado, já que deixavam de funcionar rapidamente por não resistirem às condições.

Atualmente, o prédio do reator 4 está no centro uma grande estrutura de contenção para limitar ainda mais a dispersão de radiação. Especialistas estimam que o número de vítimas pode variar entre 20 mil e 93 mil. No entanto, os números oficiais da União Soviética, que nunca foram revisados, afirmam que houve apenas 31 mortes diretamente ligadas ao acidente.

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